Pensando e sentindo ...

Pensando e sentindo ...

terça-feira, 29 de julho de 2008

Desabafos ...

Até há uns tempos atrás seria impensável para mim escrever sobre sentimentos, quando esses pareciam ter me abandonado e deixado o meu coração seco e duro, desprovido de emoção. Razão para isso não encontro outra que não ela mesma, a razão, o pensar demasiado, enfim, a minha cabeça.
Também acho que com a idade passamos de pensamentos que temos a todo o momento e aos quais chamo sonhos, e são tantos, quando a juventude ainda tem força para evitar que a inocência se esvaneça. Sonhamos a dormir, sonhamos acordados, passamos a nossa juventude a sonhar com o futuro, com o que seremos e queremos ser, com todos os projectos que temos para a nossa vida, quando será ela mesma a colocar-nos os primeiros obstáculos a todos esses sonhos e projectos. Pensamos (sonhamos) que tudo nos é possível e tudo está ao nosso alcance, mas será que não está mesmo? Quase sempre pensamos que não, e a perda da inocência leva-nos a pensar isso mesmo, tornamo-nos menos crentes na bondade e na generosidade humana, mas isso não quer dizer que os nossos pensamentos, sonhos e projectos não sejam realizáveis, acho apenas que são mais difíceis de concretizar. E não o são pelos outros ou pelos obstáculos que a vida nos coloca mas sim por nós, porque olhamos para o mundo com outros olhos com mais desconfiança, olhamos para as coisas com segundas intenções onde apenas existem primeiras, olhamos para tudo como se a qualquer momento tudo fosse desabar que nem um castelo de areia arrebatado pelas ondas de um mar em preia-mar. E passamos a sentir … a sentir com uma intensidade que nos deixa surpresos com o eu que desconhecíamos existir dentro de nós, pleno de uma capacidade de sentir. Mas é aqui que voltamos a ter um pouco da nossa ingenuidade perdida nos finais da nossa juventude. Quando sentimos o amor, quantos de nós já não pensaram que existindo amor tudo é possível? Não será a nossa ingenuidade a falar? Se é onde andou ela durante tanto tempo? Acho que sempre está lá, apenas adormecida sob o peso da razão e agora desperta pelos sentimentos emergentes que se apoderam de nós e nos enchem de “razões” de viver.
Todos nós já ouvimos falar de sentimentos à flor da pele, e quantos de nós já não nos emocionámos e sentimos o famoso arrepio pelas costas ou até mesmo a “pele de galinha”? Acho ou tenho quase a certeza que todos nós pelo menos uma vez experimentou esta inundação que nos arrebata … e tão bom que é a sensação de vida real a percorrer-nos o corpo por inteiro sem podermos controlar, perdendo a nossa razão e o autoritarismo ditatorial exercido pela nossa cabeça ainda que por breves mas, maravilhosos momentos repletos de sensações e sentimentos. (… incompleto ...)

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